Sinditêxtil-SP discute fim da “taxa das blusinhas” e caminhos para fortalecer a indústria brasileira

A diretoria do Sinditêxtil-SP e o Conselho de Administração da Abit realizaram, em 27 de agosto, a reunião mensal em sua sede, na capital paulista. O encontro foi pautado pelas recentes notícias sobre o fim da chamada “taxa das blusinhas”, o imposto de importação sobre encomendas internacionais de até US$ 50, além de prospecções sobre os caminhos da indústria.

Luiz Arthur Pacheco, presidente do Sinditêxtil-SP, e Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Abit, coordenaram o encontro. Pacheco iniciou sua participação ressaltando o repúdio ao acordo para viabilizar a Medida Provisória 1.357/2026, que prevê o fim da “taxa das blusinhas”.

Para o Pacheco, a MP e as tarifas dos EUA sobre os produtos brasileiros são pontos sensíveis para a indústria. Porém, ressaltou o otimismo que presenciou na última edição da Febratex, em Blumenau, entre 18 e 21 de agosto. “Mais de 100 mil acessos de pessoas, 40 mil metros quadrados, 650 empresas expositoras. Uma feira muito pujante e todo mundo muito animado. Isso demonstra a resiliência do nosso setor e da nossa cadeia produtiva”, destacou Pacheco.

O dirigente comentou sobre as atividades e os produtos do Sinditêxtil-SP, como a visita do projeto Chão de Fábrica à Sintequímica, o podcast Fio de Prosa e a cartilha sobre o combate ao assédio eleitoral no ambiente de trabalho.

O encontro contou também com o anúncio dos novos conselheiros consultivos da entidade: José Clarindo de Macedo, presidente da Sintequímica, e Renato Leme, ex-superintendente do Sinditêxtil-SP e da Abit.

Da esquerda para a direita: Luiz Arthur Pacheco, Renato Leme, Julio Scudeler, José Macedo e Fernando Pimentel

“O nosso Conselho Consultivo do Sinditêxtil-SP é composto por pessoas que conhecem o setor, que tem apreço pelo setor, que podem ser muito colaborativas”, destaca Pacheco em relação aos novos membros do conselho.

Após as considerações iniciais, Pacheco e Pimentel discorreram sobre as propostas para fortalecer a indústria têxtil e de confecção brasileira. Em destaque, estão os planos de levar as oportunidades de investimento do Brasil para o mundo.

Apresentações destacam os desafios e futuro do setor têxtil e de confecção

O economista do Sinditêxtil-SP, Haroldo Silva, apresentou o cenário nacional do setor T&C. De janeiro a junho de 2026, a produção têxtil, a produção de vestuário e o varejo de vestuário recuaram, respectivamente, 3,4%, 6,1% e 0,2%. 

Haroldo Silva também destacou o crescimento da importação dos produtos internacionais. Em junho, houve 28 milhões de encomendas internacionais para importação no âmbito da Remessa Conforme. Em comparação, as importações foram de 20,2 milhões em maio, último mês em que a taxa de 20% sobre as importações de até US$ 50 esteve em vigor.

Diante desse panorama, Silva e Pimentel apresentaram a agenda sobre os “cinco compromissos para uma indústria brasileira forte”, que consiste em: atrair recursos para a modernização e a produtividade; promover uma defesa comercial ágil, técnica e eficiente; ampliar a presença internacional do setor; combater a informalidade, ilegalidade e concorrência desleal; e desenvolver um ambiente competitivo para produzir e investir no Brasil.

A apresentação de Laurent Aucouturier, sócio da consultoria Gherzi, também corrobora com a pauta de fortalecimento da indústria brasileira. Segundo o consultor, o Brasil deve se reconectar ao Investimento Estrangeiro Direto (IED) para se alinhar ao setor internacional.

Já Felipe Fox Drummond Gough, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério de Relações Exteriores, compreende que a questão-chave é como o Brasil vai se reposicionar diante das novas configurações globais. Segundo o embaixador, o país precisa se atentar a dois pontos: a prospecção de mercados estrangeiros e a defesa dos interesses comerciais brasileiros.

A exibição de Marcelo Prado, diretor do IEMI, detalhou a participação dos importados na rede de varejo no Brasil. As pesquisas do IEMI mostram que, enquanto o mercado de consumo permaneceu estável, a presença dos importados nas lojas cresceu.

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