Sinditêxtil-SP repudia aprovação do fim da “Taxa das Blusinhas” pelo Congresso

O Sinditêxtil-SP repudia a aprovação, pelo Congresso Nacional, da Medida Provisória 1.357/2026, que prevê a redução a zero do Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50.

A medida amplia a assimetria entre produtos adquiridos diretamente do exterior e aqueles fabricados e comercializados por empresas instaladas no Brasil. O setor têxtil está entre um dos principais segmentos impactados por essa decisão, especialmente diante do grande volume de vestuário comercializado por plataformas internacionais de comércio eletrônico.

O Sinditêxtil-SP, representando a cadeia produtiva têxtil paulista, reivindica a isonomia das condições de competição comercial. As empresas brasileiras estão sujeitas à tributação e aos custos associados à produção nacional, incluindo mão de obra, energia, logística e obrigações fiscais. Já os produtos enviados diretamente do exterior não passam pelo mesmo tratamento tributário e rigor técnico, promovendo uma concorrência desleal com nossa produção.

“O fim da ‘taxa das blusinhas’ tem objetivo puramente eleitoreiro e certamente vai implicar em perda de competitividade dos produtos nacionais em relação aos importados via plataformas de e-commerce, desrespeitando o princípio da isonomia e que certamente irá gerar a perda de milhares de postos de trabalho do setor têxtil brasileiro. Em outras palavras, vai fomentar a geração de empregos em outros países e o desemprego no Brasil”, ressalta Luiz Arthur Pacheco, presidente do Sinditêxtil-SP.

Em um material recente, a Coalizão Prospera Brasil, integrada por diversas entidades nacionais, incluindo o Sinditêxtil-SP, identificou que o fim do imposto coloca quase 800 mil empregos em risco e 3,2 milhões de brasileiros potencialmente afetados. O relatório ainda reforça que o governo federal, ao favorecer os produtos importados à cadeia produtiva brasileira, prejudica o varejo e a indústria do próprio país, que gera mais de 18 milhões de postos de trabalho.

Os dados do IBGE corroboram o cenário de deterioração dos setores mais expostos à concorrência internacional desleal. A produção têxtil e de vestuário recuaram, respectivamente, 6,8% e 8,2%, na comparação entre julho de 2025 e 2026. A produção de calçados também observou uma queda de 5,3% no mesmo período.

Após aprovação pelo Congresso, o texto da MP segue agora para sanção do Presidente da República. Com a assinatura de Luiz Inácio Lula da Silva, a norma será publicada no Diário Oficial da União, oficializando a decisão que prejudica a cadeia produtiva nacional.

O Sinditêxtil-SP seguirá apoiando a Coalizão Prospera Brasil, defendendo os interesses da indústria e do varejo nacional em todos esses cenários. Reivindicar por condições justas de comércio é lutar também por empregos, pelo bem-estar da população e por uma economia nacional mais forte.

Share this post

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *