Sinditêxtil-SP debate cenário econômico, relações com os EUA e desafios do varejo
“Temos uma agenda bem estruturada para este trimestre. De fato, 2026 é um ano eleitoral que impõe muitos desafios, como a escala 6 x 1, a NR1 (Norma Regulatória nº 1) e a reforma tributária”, afirmou Luiz Arthur Pacheco, presidente do Sinditêxtil-SP, na abertura da reunião mensal de Diretoria realizada juntamente com a do Conselho de Administração da Abit, no dia 26, na sede, na capital.
Na pauta do encontro, temas de interesse do setor têxtil. No âmbito das relações bilaterais, o CEO da Amcham, Abrão Neto, abordou as expectativas do Brasil com os Estados Unidos. “Os EUA são o principal destino de exportações de bens industriais do Brasil. É muito acima do que o país destina ao Mercosul e à União Europeia. Portanto, tem um papel na pauta exportadora”, destacou.
A respeito da questão política entre as duas nações, Neto apontou que sempre foi amistosa. “Talvez com mais aproximação em alguns períodos. Em outros, menos”. O CEO da Amcham lembrou o tarifaço imposto pelo governo Donald Trump ao Brasil e classificou o período como “provavelmente mais tenso da relação política nos últimos 50 anos”.
Convidado a comentar o Zara Index de 2026, Luiz Guanais, analista de varejo do BTG Pactual, afirmou que “houve uma busca maior por produtos mais básicos nas lojas de varejo e uma sensibilidade um pouco maior a preço”.
Entretanto, pondera, “vemos um cenário ainda desafiador para o vestuário até 2026. Há estimativa de queda de juros em março. Mas, ainda assim, percebe-se um comprometimento grande da renda das famílias com o pagamento de dívidas e juros, o que deve prejudicar a capacidade de consumo, principalmente para setores mais discricionários”.
Haroldo Silva, economista do Sinditêxtil-SP, também apresentou dados do setor. “A produção têxtil cresceu 5,6% de janeiro a dezembro de 2025, comparado ao mesmo período do ano anterior. Imagino que algumas importantes empresas que estavam na base de 2024 desse segmento saíram por razões de mercado, e dividiram o mesmo número por um inferior. Portanto, subiu bem o resultado”.
Além disso, foram discutidos na reunião mensal o fim da escala 6 x 1, aplicação de inteligência artificial, os impactos do aumento do imposto de importação de máquinas para indústria têxtil e de confecção, participação em feiras internacionais e o edital FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos) de Subvenção Econômica para Têxteis Técnicos.
Ao final da reunião, Pacheco comunicou que o Sinditêxtil-SP está com pedidos de agenda junto diversos órgãos do poder público Estadual, como as secretarias da Fazenda, de Desenvolvimento Econômico, Infraestrutura, Energia, Meio Ambiente, Segurança Pública, além das agências CETESB, DesenvolveSP e InvestSP. “Queremos desde o início da gestão estabelecer proximidade e interação com esses agentes, visando dar fluidez à nossa interlocução institucional, de forma a reforçar a imagem e atuação do Sinditêxtil-SP perante o Governo do Estado de SP”, comentou.
O executivo mencionou ainda a participação da entidade na Colombiatex para dar apoio a 14 empresas de São Paulo presentes na feira, a visita à fábrica da Santaconstancia Tecelagem, que integra o projeto Chão de Fábrica, e a 16ª edição do podcast Fio de Prosa, que contou com a participação dos Presidentes Eméritos do Sinditêxtil-SP: Julio Scudeler, Rafael Cervone e Alfredo Bonduki.
Deixe um comentário